6 de fev de 2011


Oxalá
“ O Iluminado”

OXALUFÃ - O PAI - A PAZ

Denominado o Orixá Babá, divindade da fertilidade, o pai criador do homem, protetor por excelência. Oxalá comanda o Universo e é o Orixá maior, o amor universal. É o filho de Olorum,  significando "Olo" - longe e "Orum" quer dizer Sol. Oxalá é o Rei do pano branco, sua ação se manifesta através da luz, da fé, da paz e da razão. É o mais respeitado Orixá na hierarquia do Candomblé. Não existe dúvida alguma da supremacia de Oxalá sobre os demais Orixás. Possui um caráter obstinado, altivo e feito pelo criador antes de todos os outros. Chamado por diversos nomes como: Oxalá, Obatalá, Orixalá, Orinxalá, líder do grupo de Orixás Funfum (os de pele branca).
Paxorô
Os Orixás Funfum eram em número de 154,  muitos deles sobrevivem como formas de Oxalá. Diz-se na Bahia que existem 16 tipos de Oxalá, dos quais dois são os mais reverenciados no Candomblé e na Umbanda: Oxaguiã e Oxalufã. Oxaguiã, jovem e obstinado guerreiro, que  traz na mão direita um pilão e funda aldeias onde nada ainda existe. Oxalufã é o velho e fraco, que se apóia num cajado de pastor, o mais profundo conhecedor da sabedoria. Oxalá ocupa entre nós o mais alto nível de grandeza. Isso aparece na própria lenda da criação e na guerra entre ele e Oduduá que é  considerada a metade  feminina da criação, a metade inferior da cabaça-mundo, o igbá-odù.  Após ter perdido o direito de criar o mundo, pois foi Olofim-Oduduá quem o fez, Oxalá desceu à Terra e convocou todos os Imalés para lembrá-los de que ele é que era um Deus, um imortal, o segundo na Trindade. Afirmando  que Oduduá nada mais era que um simples mortal que lhe teria passado uma rasteira. Diante das afirmações, alguns Imalés o apoiaram e outros não; dessa divisão de opiniões surgiu uma guerra na qual os dois lutaram obstinadamente pela supremacia total. Seu Templo é em Ifóm  e ainda perpetua-se seu culto fielmente como era no princípio, muito querido e respeitado pela sua bondade, sabedoria, retidão e humildade. Seu conceito é tão grande, que as pessoas vestem-se de branco nos rituais e principalmente às sextas-feiras. Na roda dos Orixás é ele quem encerra as festividades, é quando se cantam seus louvores e todos entram na roda para reverenciar e glorificar o Deus da pureza. Na Mitologia grega e romana ele pode ser comparado talvez à Apolo, o Deus do Sol,  ambos representam o poder e a luz. Em termos religiosos, o corpo está diretamente relacionado a uma divindade e, consequentemente, a um dos elementos naturais (água, terra, fogo, ar). O corpo é entendido como uma manifestação da ação sobrenatural, e seu processo da criação. É o Orixá primordial denominado Ajalá (uma das variações de Oxalá), o fazedor de cabeças, que combina vários elementos naturais no orum para moldar o doble do ser humano.  Concluído este doble, cabe e Orinxalá (outra variação) insuflar-lhe a vida com seu hálito divino (emi).

 ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXALUFÃ
Seus filhos são observadores, vigilantes e compreensivos, não sabem disfarçar suas emoções. Sua tranquilidade, dignidade e forte moralidade o impedirão de recorrer a meios desonestos para atingir seus objetivos. Dotado de incrível paciência e detesta discussões, mas também são teimosos. Nasceu para a liderança, por isso espera ser respeitado e ouvido quando se manifesta. A imaginação dele é viva, gosta de meditar em lugares tranquilos, onde sonha romanticamente e tem ideias originais. No amor é ciumento e muito zeloso, sua cólera é evidente, com manifestações ruidosas, mas não guarda  rancores, se violento pode ser bastante desagradável. Como amigo, ele é fiel, protetor, generoso e sério, ajudando sem limites.

AS VARIAÇÕES DE OXALÁ
Oxalá Ajalá: Orixá modelador das cabeças,  foi incumbido de moldar as cabeças, por ser  muito antigo, sábio e portanto capaz de executar tarefa tão delicada. Ele faz as cabeças de barro e as cozinha no forno.  Pertence a Família dos Orixás Funfun (brancos). Entre os homens é reconhecido como um ‘tipo’ de Oxalá. Não roda na cabeça de ninguém e seu culto além de misterioso é conhecido no Candomblé, como o BORI.


Oxalá Ajagemo: Para o qual durante a sua festa anual em Edé, dança-se e representa-se com mímicas, um combate entre ele e Oluniwi, no qual este último sai vencedor.

Oxalá Akire ou Ikire:  É um valente guerreiro muito rico que transforma em surdo e mudo a quem o negligencia.

Oxalá Alase ou Olúorogbo: Salvou o mundo fazendo chover num período de seca.

Oxalá Etéko: Caminha com Oxaguiã, é inquieto. Vive nas matas e come todo o tipo de carne branca.

Oxalá Eteto Obá Dugbe: Outro guerreiro, ligado a Orixalá.

Obatala Creator
OBATALÁ
Oxalá Lejugbe: é muito confundido com Oxalufan; por ser vagaroso e indeciso. Muito chegado a Ayrá. Come com Yemanjá e Oxalufan. Come também todo tipo de carne branca.

Oxalá Obatalá: É o mais velho dos orixás. O grande rei branco; raiz de todos os outros Oxalás. Ele não é feito, faz-se Ayrá ou Oxum Opara. É o pai de Oxalufã que por sua vez é o pai de Oxaguiã. Por ser muito grande e poderoso, Obatalá não se manifesta, sua palavra transforma-se imediatamente em realidade. Representa a massa, o ar, as águas frias e imóveis do começo do mundo, controla a formação dos novos seres, é o senhor dos vivos e dos mortos.


Oxalá Okó: Divindade da agricultura e colheita dos inhames novos e a fertilidade da terra. Orixá Nagô, pouco conhecido no Brasil. Na época da chegada dos escravos, não deram muita importância a este orixá, considerando como orixá da agricultura, em seu lugar Ogum e dos grãos Obaluaê. Quando se manifesta leva um cajado de madeira que revela sua relação com as árvores, traz uma flauta de osso que lembra sua relação com a sexualidade e a fertilidade. É confundido com Oxalá, pois veste-se de branco. Seu Opaxoró, no Brasil, é confeccionado em madeira. Sendo um Orixá raro, tem poucas qualidades conhecidas. É um Orixá rico.

Oxalá Olofon Ajigúna Koari: Aquele que grita quando acorda (conhecido pelo nome de Oxalufan).

Oxalá Orinxalá ou Orixalá: É casado com Yemanjá, suas imagens são colocadas lado a lado e cobertas com traços e pontos desenhados com efum, no Ilésin, local de adoração, dizem que Yemanjá foi a única mulher de Orixalá um caso excepcional de monogamia entre orixás e eborás.


Oxalá Oxalufã: (Orixá Olú Fon): Orixá velho e sábio, cujo templo é Ifón pouco distante de Oxogbô, a cerimônia de saudações é de dezesseis em dezesseis dias. Orixá muito velho, de idade avançada, aleijado, lento, movendo-se com muita dificuldade. Dança apoiado no opaxoró. Treme de frio e velhice. Detesta a violência, disputas e brigas. Não come sal e nem dendê; odeia cores fortes, principalmente o vermelho. A ele pertencem os metais e substâncias brancas; não suporta cavalos.


Oxalá Ogiyan Ewúlee Jiigbo: Senhor de Ejigbô (conhecido pelo nome de Oxaguiã).

O MITO - AQUELE QUE FOI ENGANADO TRÊS VEZES  
Um dia Oxalá resolveu visitar seu filho Xangô o Rei de Oyó. Antes de partir consultou Ifá, no jogo de búzios. Ele foi avisado para não fazer a viagem, pois haveria muitas desgraças. Oxalá insistiu em ir, então o Babalaô o aconselhou a tomar alguns cuidados: não falar com ninguém que encontrasse no caminho, não atender a nenhum pedido, não pronunciar palavras de queixa, e foi recomendado que deveria levar três roupas brancas e sabão. Teimoso, Oxalá começa sua viagem. No caminho ele encontra Exu, que disfarçado, estava sentado sobre um barril . Oxalá, esquecendo o conselho do Babalaô,  dá ouvidos a Exu, que o convence a carregar o barril, que continha azeite de dendê. Exu fez o azeite derramar sobre Oxalá e depois riu, dizendo que Oxalá virou comida de Exu. Oxalá banhou-se, trocou de roupa e seguiu viagem. Novamente Exu apareceu, disfarçado de velho e pediu ao Orixá que carregasse seu pesado fardo de carvão. Oxalá com pena do velho, pegou o saco e pôs nas costas. Exu derramou o carvão, sujou-o e depois riu, dizendo que Oxalá trocou o pano branco por preto. O Orixá mais uma vez, banhou-se, pôs outra roupa limpa e seguiu viagem. Dessa vez Exu apareceu como um menino e de novo enganou Oxalá, que acabou se sujando com um barril de vinho de palma. Exu riu muito, dizendo que enganou o Orixá três vezes. Mas uma vez Oxalá manteve a calma, limpou-se no rio  e vestiu sua terceira roupa e continuou sua caminhada rumo ao reino de Xangô.

JESUS CRISTO
 SINCRETISMO CATÓLICO
No sincretismo ele está relacionado a Nosso Senhor do Bonfim ( Jesus Cristo), cuja festa, com a lavagem das escadarias da Igreja na Bahia, acontece em 16 de Janeiro. Ritual representando a limpeza e a devoção em relação ao Orixá. Chamado de as  águas de Oxalá.
O respeito a Oxalá é demonstrado principalmente nos terreiros, independente do Orixá de cabeça de cada elegum, quando chega o momento de sua dança, em sinal de respeito, o Orixá Xangô vem cumprimentá-lo até mesmo carregá-lo, já que Oxalá anda arqueado e sem força.
Na variação como Oxaguiã, o seu sincretismo está relacionado ao Menino Jesus de Praga.
Dia da semana: sexta-feira
Cor: Branca
Elemento: Ar
Instrumento: Paxorô ( espécie de cajado)
Saudação:
"Epa babá"("Salve, pai")



Oxaguiã

 O REI DO PILÃO

Oxaguiã é tido como um guerreiro, mas não possui a mesma audácia, agilidade e desejo mórbido pela guerra como o saudoso Orixá Ogum. É um Orixá que luta para conquistar aldeias e territórios, dentro do desejo de instalar-se e fazer com que tudo prospere. Sabe comandar e por onde passa deixa sempre sua marca, que é o progresso. Respeita as  hierarquias e os preceitos que ele mesmo impõe ao seu povo, e as utiliza para si próprio. É um Orixá fiel às tradições, sábio, calmo, mas não ao ponto de uma passividade dentro dos assuntos que tiver de resolver. Em todas as terras de conquista,  Oxaguiã faz a plantação de inhame, pois tem o gosto apurado pelo legume, que lhe deu a fama de "Orixá-Comedor-de-Inhame-Pilado", que traduzido em iorubá, "Òisá-jé-iyán" e na junção "Òrisàjiyán". Contam os antigos da seita que ele foi o inventor do pilão, justamente para facilitar o esmagamento de sua comida preferida. O pilão tornou-se o símbolo do Deus que luta todo de branco e evita manchar sua roupa de sangue. A maior festa em homenagem ao Deus do inhame é alusão a este fato - "O pilão de Oxaguiã".

O MITO -  A PRAGA
Ejigbô, aldeia fundada por Oxaguiã transformou-se em uma grande cidade, pois Oxaguiã sempre seguia os conselhos de um Babalaô muito amigo, que o  orientava de como fazer a cidade prosperar. Então ele mandou construir até um palácio para sua melhor comodidade e cercou a cidade com enormes muralhas  para viver bem e com fartura. O Babalaô logo que o ensinou a transformar a cidade, partiu em peregrinação e só voltou muitos anos depois. Quando ficou abismado com tanto progresso da aldeia, pois agora timha que se fazer anunciar aos guardas no portão. Ao pedir notícias de seu amigo Oxaguião, tratou-o de igual para igual, e não usou o termo "Majestade". Os guardas da cidade tomaram isso como uma ofensa ao Rei e o prenderam, aplicando uma violenta surra, deixando ele todo ensanguentado. O babalaô, ferido, magoado pela recepção, decediu se vingar e usou seus poderes, jogando uma praga na cidade. Então tudo que era fertil, tornou-se estéril, não chovia mais, a terra e o útero das mulheres secaram. Oxaguiã, que já tinha recebido o título de Eléèjìgbò (rei de Ejigbô), consultou um outro babalaô, e quis saber o que estava acontecendo. Foi quando o babalaô disse que um amigo havia sido humilhado em seus portões, e este era o seu conselheiro responsável pela mudança da cidade. Oxaguiã, irado, mandou vasculhar as masmorras, e seu amigo foi encontrado. Seu amigo foi libertado e Oxaguiã humildemente pediu a ele que o perdoasse e também a seu povo. O amigo em nome da amizade que os unia, decidiu perdoar, mas com a condição de que em todas as festas, o povo deveria lutar entre si com golpes de vara por várias horas até a exaustão. E assim foi feito e tudo voltou a ficar fértil novamente.

ARQUÉTIPOS DOS FILHOS DE OXAGUIÃ
Os filhos de Oxaguiã são  tranquilos, risonhos, prestativos e estão sempre dispostos a ajudar o próximo. Carismáticos, inteligêntes, elegantes, falantes, com grande senso de justiça. Fazem questão de disciplina e gostam de se sentirem amados. Eles optam por trabalhos relacionados a mudanças, como por exemplo derrubar o que está velho, para construir o novo e moderno. São ótimos desenhistas, arquitétos e publicitários.  São muito fiéis e dedicados a religiosidade, cumpridores de seus juramentos e caridosos ao extremo. Se houver  filhos de Oxaguiã em hospitais, como médicos, optarão por clínica geral, pois dificilmente conseguirão ser cirurgiões, eis que têm barreira em relação a sangue. São de físico bonito mas não exuberante. "Epa baba Oxalá, Adonim Orixá"

OS CABOCLOS DO REINO DE OXALÁ
É a luz refletida que coordena as demais vibrações. As entidades dessa linha falam calmo, compassado e se expressam sempre com elevação.
URUBATÃO DA GUIA


Os sete chefes principais de legiões são:
1 - Caboclo Urubatão da Guia
2 - Caboclo Ubirajara
3 - Caboclo Ubiratan
4 - Caboclo Aymoré
5 - Caboclo Guaracy
6 - Caboclo Guarany
7 - Caboclo Tupy










LOCAL DE DOMÍNIO - O CÉU - A PRÓPRIA LUZ

Obatalá criou o ser humano. Obatalá fez o homem de lama, com corpo, peito, barriga, pernas, pés. Modelou as costas e os ombros, os braços e as mãos. Deu-lhe ossos, pele e musculatura. Fez os machos com pênis e as fêmeas com vagina, para que um penetrasse o outro, e assim, pudessem se juntar e se reproduzir. Pôs na criatura coração, fígado e tudo o mais que está dentro dela, inclusive o sangue. Olodumaré pôs no homem a respiração e ele viveu. Mas Obatalá se esqueceu de fazer a cabeça e Olodumaré ordenou a Ajalá o modelador de cabeças que completasse a obra criadora de Oxalá. 

 OBATALÁ - O CRIADOR DO SER HUMANO

"Cada um escolhe sua cabeça para nascer, ou seja,  escolhe o Ori que vai ter na Terra. E lá escolhe uma cabeça para si. Deve ser esperto, para escolher cabeça boa. Cabeça ruim, é destino ruim. Cabeça boa é riqueza, vitória, prosperidade e tudo o que é bom".